Prefeito Kassab ameaça retirar patrocínio do carnaval de SP
Após confusão da apuração, Prefeitura assumirá segurança do evento
22/02/2012 - 16h00 | O Globo
SÃO PAULO - O prefeito Gilberto Kassab (PSD) ameaçou retirar o patrocínio do carnaval de São Paulo, caso fique comprovado a ligação de dirigentes ou de escolas de samba com o tumulto na apuração. Kassab anunciou que a apuração do carnaval será feita em local definido pela Prefeitura de São Paulo a partir de 2013 e que o governo municipal passa a assumir a segurança do evento. Nesta terça-feira, durante apuração das notas do Grupo Especial do carnaval, houve confusão no Anhembi. Carros alegóricos foram queimados e a leitura das notas interrompidas. Duas pessoas foram presas. Apenas no fim da noite, a Mocidade Alegre foi anunciada a campeã de 2012. Neste ano, a Prefeitura investiu R$ 23 milhões no evento, segundo Kassab. A SPTuris, empresa da Prefeitura responsável pelo evento, esteve reunido com o departamento jurídico na manhã desta quarta-feira para decidir se aplicaria alguma punição às escolas. Mas não foi anunciada qualquer medida antes da conclusão do inquérito policial - Há recursos públicos no evento e é a nossa exigência. É inaceitável assinar um contrato com uma Liga que tenha uma escola com dirigentes envolvidos neste incidente. Os recursos para o carnaval 2013 serão definidos ainda este ano, na minha gestão. São recursos públicos que não podem ser repassados para uma entidade que comete ilegalidade, ligadas ao banditismo. Nós temos a obrigação de zelar pelo bom uso do dinheiro público - declarou Kassab. O anúncio foi feito na manhã desta quarta-feira, no Anhembi. A Liga não participou. O desfile das campeãs terá reforço de policiamento no Sambódromo, nesta sexta-feira. A Prefeitura já assume a segurança para a apoteose. O efetivo nem o esquema ainda serão definidos, de acordo com Marcelo Rehder, presidente da SPTuris. Kassab considerou que o esquema atual teve "falhas de planejamento" no credenciamento das pessoas que ficaram nas mesas em frente à apuração e nas grades de segurança da mesa da apuração. - Vamos obrigar contratualmente que a apuração seja feita em recinto fechado, muito provavelmente no Sambódromo - declarou o prefeito. O contrato entre a Prefeitura e a Liga prevê advertência e multas em caso de descumprimento de regras. Já o Regulamento da Liga deixa claro que qualquer membro ou dirigente com comportamento inadequado, seja no desfile ou na apuração, terá a escola eliminada do concurso e será expulso. Mas a Liga ainda não se pronunciou sobre a penalidade. As entidades esperam a conclusão do inquérito policial para anunciarem suas medidas, apesar dos dois presos usarem as camisetas da Gaviões e da Império de Casa Verde. O presidente da Liga, Paulo Sério Ferreira, disse à TV Globo nesta quarta-feira que se a apuração da polícia comprovar o envolvimento dos integrantes na confusão as escolas serão responsabilizadas. Mas não falou em expulsão, conforme prevê o regulamento da Liga. Império nega que integrante seja diretor O presidente da Império de Casa Verde, Alexandre Furtado, disse que se a escola deixar de receber verba da prefeitura a agremiação vai sair do Carnaval de São Paulo. A escola negou nesta quarta-feira que a Tiago Ciro Faria, que invadiu a área de apuração, roubado e rasgado papéis com as notas, seja diretor da Império.No entanto, a diretoria não soube explicar como Tiago estava com a credencial e pulseira de acesso à apuração. - Distribuímos oito pulseiras no barracão. O Tiago não estava lá nem é diretor. Não sei como ele conseguiu disse Eduardo Moraes, advogado da escola . Sobre o suposto acordo de não rebaixar nenhuma escola, a Império justifica que Faria teria ouvido a informação de pessoas nas arquibancadas. - Ele está arrependido - completou o advogado. Furtado reclamou da mudança dos dois jurados - dos quesitos evolução e mestre-sala e porta-bandeira - ter sido comunicada aos presidentes por e-mail, às 22h de quinta-feira, véspera dos desfiles. - Trocar jurados de quinta para os desfiles que começam na sexta é estranho. Os presidentes não ficaram contentes - falou Furtado. A polícia vai abrir inquérito para saber se dirigentes de escolas de samba combinaram o tumulto durante a apuração. Um dos detidos disse à polícia que houve um acordo de cavalheiros para que se "melasse" a apuração e nenhuma escola fosse rebaixada, já que foi feita uma troca de jurado sem comunicação prévia a todos os presidentes. O presidente da Liga negou também qualquer acordo de não rebaixamento das escolas de samba. Vitória sem comemoração Por volta das 23h de terça-feira, a presidente da Mocidade Alegre, Solange da Cruz Bichara Rezende, chegou com o troféu de campeã na quadra da escola, que fica na Zona Norte de São Paulo. O anúncio da campeã do Carnaval foi feito no fim da noite de terça-feira. Mas o local estava vazio, já que os componentes foram dispensados e a festa, suspensa. Alguns integrantes que estavam do lado de fora entraram para ver o troféu, emocionados. A presidente promete uma festa para a comunidade, mas diz que não se sente confortável com a situação. - Estou feliz pela minhas escola, pela minha comunidade. Mas, por outro lado, não estou me sentindo confortável com esta situação, estou chateada - disse Solange. - Alguma coisa pra comunidade eu vou fazer. As pessoas deram o sangue na avenida, se superaram - afirmou a presidente da campeã. Faltando pouco mais de um mês para o carnaval, um incêndio destruiu um carro alegórico e fantasias no barracão da agremiação. A escola desfilou com uma homenagem aos 100 anos de Jorge Amado e retratou a fé do escritor baiano nos orixás. A diretoria da Camisa Verde e Branco, que foi rebaixada para o Grupo de Acesso, informou que entrará com recurso.
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