Ibovespa fecha em queda; BC intervém, mas dólar cai
Bolsas europeias terminaram pregão em queda com incerteza sobre Grécia
22/02/2012 - 18h00 | O Globo
SÃO PAULO Após quatro dias de alta, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), encerrou o pregão desta quarta-feira de cinzas em queda de 0,17% aos 66.092 pontos e volume financeiro de R$ 5,3 bilhões, abaixo da média diária. Mesmo com a intervenção do Banco Central no mercado de câmbio, o dólar comercial encerrou as negociações desta quarta com queda de 0,40%, cotado a R$ 1,7050 para compra e R$ 1,7070 para venda. Esta é a menor cotação desde 31 de outubro do ano passado. No mês, o dólar acumula queda de 2,30% e, no ano, de 8,67%. A moeda americana oscilou nesta quarta entre a mínima de R$ 1,7050 e a máxima de R$ 1,7170. A Bovespa não teve pregão na segunda e terça de carnaval e só abriu às 13 horas desta quarta. Desde o início, o Ibovespa operou em queda, acompanhando os pregões europeus, que fecharam em baixa. Apesar do socorro financeito à Grécia, ainda pairam dúvidas se a economia do país voltará a crescer com tantas medidas de austeridade. Também números mais fracos da atividade industrial na zona do euro tiveram impacto negativo sobre o ânimo dos investidores, que aproveitaram para realizar lucros. As bolsas americanas também operaram em queda. No mercado de câmbio, o Banco Central (BC) voltou a atuar na tarde desta quarta-feira para conter a queda do dólar. A autoridade monetária comprou moeda no mercado à vista, pagando R$ 1,7083. De acordo com os operadores, a intenção do BC é reduzir a velocidade de queda da moeda americana, já que a tendência é mesmo de baixa, com forte entrada de capital estrangeiro. Essa foi a quarta intervenção do BC este ano, sendo duas operações à vista e duas a termo. Mesmo assim, a divisa americana se desvalorizou. - Sempre que o dólar atinge o patamar psicológico de R$ 1,71 a R$ 1,705, o BC tem atuado. O problema é que não adianta brigar com o mercado. A tendência do dólar é de queda. O BC intervém, a moeda cede, mas volta a subir. Já se fala no mercado que o governo pode ressuscitar o IOF sobre algum tipo de operação de câmbio, até o limite de 25%, que é o que determina a lei. O Brasil está sendo vítima do próprio sucesso: atrai capital estrangeiro, as exportações crescem (o saldo da balança comercial está positivo em US$ 429 milhões, desde janeiro) e o real ganha força - explica João Medeiros, sócio da corretora Pionner. Boletim Focus divulgado nesta quarta, mostra que o mercado espera o dólar a R$ 1,75 em dezembro. Entre os ativos de maior peso na Bolsa, Vale PNA caiu 0,02%, a R$ 41,98; Petrobras PN perdeu 0,66%, a R$ 23,89; OGX Petróleo ON subiu 2,26%, a R$ 18,07; Itaú Unibanco PN teve queda de 0,90%, a R$ 36,33; e Bradesco PN caiu 0,03%, a R$ 30,80. O mercado também repercutiu a notícia de que a Cosan comprará 38,980 milhões de ações da ALL, das quais 34 milhões vinculadas ao acordo de acionistas, por R$ 896,542 milhões. A Cosan está pagando R$ 23,00 por ação da ALL, mais do que o dobro da cotação de sexta-feira, que era de R$ 11,03. Os papéis da Cosan ON caíram 5,83% a R$ 29,20, enquanto as ações da ALL (ALLL3) perderam 1,81% a R$ 10,88. Grécia: desconfianças após o pacote Mesmo com o pacote de ajuda à Grécia tendo sido liberado, as Bolsas europeias fecharam em baixa nesta quarta. Na Bolsa de Madri, o Ibex caiu 1,26%; O DAX, da Bolsa de Frankfurt se desvalorizou 0,93%; em Paris, o índice CAC teve perda de 0,52% e o FTSE, da Bolsa de Londres, se desvalorizou 0,20%. Os investidores continuaram aproveitando o cenário de incerteza com a Grécia e embolsaram os lucros obtidos nos últimos meses. Também contribuíram para a queda indicadores mais fracos da atividade industrial da zona do euro. O Índice dos Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) composto da zona do euro recuou de 50,4 em janeiro para 49,7 em fevereiro. O PMI industrial passou de 48,8 em janeiro para 49,0 em fevereiro, e o de serviços recuou de 50,4 para 49,4. Analistas previam, para o índice composto, uma alta para 50,8. Os dados sugerem que a região pode entrar em recessão e potencialmente prejudicar os lucros das companhias. Para completar o leque de más notícias, nesta quarta, a agência de classificação de risco Fitch rebaixou o rating dos títulos da dívida grega em dois níveis, de CCC para C, depois da aprovação do pacote de ajuda financeira. Segundo a Fitch, o rebaixamento indica que um calote é muito provável no curto prazo. Em junho, a agência informou que seria considerada uma situação de calote limitado caso a Grécia continuasse com a proposta de trocar os títulos da dívida grega atuais por novos papéis com menor valor de face. A troca de títulos vai eliminar cerca de 107 bilhões do débito soberano do país que teria de ser pago a bancos e outros credores privados detentores de títulos soberanos. A perda para os credores foi de 53,5%. Após a troca de títulos, o rating da Grécia será reavaliado. - Os analistas dizem que apesar deste pacote recorde, a Grécia precisará de ajuda para honrar seus compromissos com os credores, mesmo com o desconto de 53% e a troca de títulos. Fala-se que em 2015, o país já não terá condições novamente de pagar sua dívida e precisará d emais ajuda financeira - avalia João medeiros, da Pionner. Com o pacote de 130 bilhões, o perdão da dívida de mais 107 bilhões, além de uma ajuda extra do Banco Central Europeu (BCE) nos próximos anos, a ajuda à Grécia chega a quase 300 bilhões, equivalente ao PIB do país em 2010. Mas as dúvidas se a Grécia cumprirá as medidas de austeridade e se a economia voltará a crescer persistem. Este é o segundo pacote de ajuda financeira à Grécia. Nos EUA, as vendas de casas usadas nos Estados Unidos atingiram em janeiro o maior patamar em um ano e meio, e a oferta de propriedades no mercado ficou no menor nível em quase sete anos, indicando uma nova recuperação no mercado imobiliário. Segundo dados da Associação Nacional de Corretores de Imóveis, divulgados nesta quarta-feira, as vendas de casas usadas cresceram 4,3% em janeiro, chegando a uma taxa anual 4,7 milhões de unidades, o maior nível desde maior de 2010. Os dados vieram em linha com o esperado, mas indicam que o processo de recuperação da economia americana continua. No Brasil, pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central mostrou que o mercado espera uma inflação menor para este ano. A projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial, passou de 5,29% para 5,24%. A previsão de crescimento foi mantida em 3,3% para 2012. Também foi divulgado que o saldo da balança comercial brasileira ficou positivo em US$370 milhões na terceira semana de fevereiro. Os dados foram divulgados há pouco pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). O saldo positivo, na terceira semana de fevereiro, é resultado de exportações de US$ 4,7 bilhões e importações de US$4,333 bilhões. No ano, o saldo está positivo em US$ 429 milhões.
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