Cantor Youssou N'dour é ferido durante protestos no Senegal
Manifestações duram três semanas e já provocaram a morte de oito pessoas em Dacar
22/02/2012 - 16h00 | O Globo
DACAR O cantor senagalês Youssou N'dour foi ferido na perna durante uma manifestação na capital do Senegal, Dacar, segundo informações divulgadas nesta quarta-feira. Na Praça da Independência, um grupo protestava contra a candidatura do presidente Abdoulaye Wade, que está no poder desde 2000 e busca seu terceiro mandato nas eleições, a serem realizadas no próximo domingo. N'dour, que teve sua candidatura negada, recusa-se a comentar o incidente porque, segundo ele, não deseja que este se torne um assunto de Estado. As informações foram passadas por Charles Faye, assessor do grupo Fekké ma ci boolé, liderado pelo cantor. Policiais e manifestantes entraram em choque na terça-feira, e um jovem de 16 anos morreu. Os opositores de Wade, liderados pelo Movimento de 23 de Junho (M-23), se concentraram na praça, que já estava cercada pela polícia. Não houve confrontos durante quase uma hora, mas a chegada do cantor Youssou N'Dour causou um pequeno distúrbio que provocou o embate. Nas últimas três semanas, a repressão aos movimentos pelas forças de segurança do Senegal já deixaram pelo menos 8 mortos, além de ter enfurecido ainda mais a população. A oposição não aceita a nova candidatura do presidente, pois consideram ser uma violação à Constituição. Em entrevista coletiva, o M-23 afirmou que aceita o adiamento da eleição para que o Partido Democrático Senegalês designe outro candidato. Caso Abdoulaye Wade seja mantido, o grupo prometeu impedir as eleições de 26 de fevereiro. O ex-presidente da Nigéria, Olusegun Obasanjo, chegou ao país em meio ao clima de violência. Ele lidera o grupo de observadores internacionais destacado pela União Africana e pela Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao). Segundo Obasanjo, a missão é favorecer o diálogo entre os protagonistas da crise para que as eleições de domingo sejam realizadas sem distúrbios. A União Europeia, que destacou 90 observadores para supervisionar as eleições, pediu o fim da violência no país.
|