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Saúde Pública é o tema da Campanha da Fraternidade 2012

Presente no lançamento da CNBB, ministro diz que corte de verbas não afetará programas

RIO A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou nesta quarta-feira a Campanha da Fraternidade 2012, que terá como tema Fraternidade e Saúde Pública. A mobilização acontece desde 1964 em todas as dioceses do Brasil, durante o período da quaresma (período entre a Quarta-feira de Cinzas e a Páscoa).

Para o secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, não é exagero dizer que a saúde pública no país não vai bem. De acordo com o religioso, é preocupante a decisão do governo de cortar cerca de R$ 5 bilhões da área de saúde.

- Os problemas verificados na área da saúde são reflexo do contexto mais amplo de nossa economia de mercado, que não tem, muitas vezes, como horizonte, os valores ético-morais e sociais - disse ele, durante o lançamento da campanha, em Brasília.

De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que participou do evento, este ano a saúde terá orçamento 17% maior que em 2011, com R$ 72 bilhões.

- O aumento de R$ 13 bilhões é o maior aumento nominal que já existiu de recursos para a saúde de um ano para o outro, desde o ano 2000. O meu papel como ministro não é ficar esperando os recursos virem, mas, sobretudo, fazer mais com o que temos - garantiu o ministro.

Texto da CF aponta problemas na rede pública

No texto-base da campanha, a CNBB expõe as grandes preocupações da Igreja com relação à saúde pública, como a humanização do atendimento aos pacientes e o financiamento do sistema público, classificado pela confederação, como problemático e insuficiente. A entidade critica ainda a escassez de recursos destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo a entidade, o objetivo é despertar a solidariedade dos fiéis e da sociedade para um problema concreto e a buscar uma solução para ele.

A saúde integral é o que mais se deseja. Há muito tempo, ela vem sendo considerada a principal preocupação e pauta reivindicatória da população brasileira, no campo das políticas públicas. O SUS (Sistema Único de Saúde), inspirado em belos princípios como o da universalidade, cuja proposta é atender a todos, indiscriminadamente, deveria ser modelo para o mundo. No entanto, ele ainda não conseguiu ser implantado em sua totalidade e ainda não atende a contento, sobretudo os mais necessitados destes serviços, diz a CNBB no texto-base.

O texto da campanha compara os gastos da saúde no Brasil com o de alguns países em que 70% do que é dispendido na área vêm do governo e 30%, do contribuinte. Já no Brasil, em 2009, o governo foi o responsável por 47% (R$ 127 bilhões) dos recursos aplicados na saúde, enquanto as famílias gastaram 53% (R$ 143 bilhões).

No entanto, segundo dom Leonardo, a Igreja reconhece também alguns avanços na área, como a redução da mortalidade infantil, a erradicação de algumas doenças infecto-parasitárias e o aumento da eficiência da vacinação e do tratamento da Aids.

- São significativos os avanços verificados nas últimas décadas na área da saúde pública - afirmou o secretário-geral.

Ministro diz que corte não afetará programas

Para Padilha, o debate sobre o financiamento da saúde continua e será mais amplo com o apoio da Campanha da Fraternidade. O ministro disse ainda que o contingenciamento de R$ 5 bilhões, com o corte do Orçamento anunciado pelo governo na semana passada, não afetará nenhum programa da pasta.

- Tudo o que estava programado pelo Ministério da Saúde e foi encaminhado para o Congresso Nacional está absolutamente mantido - garantiu o ministro.

Segundo o membro do Conselho Nacional de Saúde Clóvis Boufleur, a Campanha da Fraternidade pretende efetivar a participação de conselhos estaduais e municipais de saúde. Entre os temas que serão debatidos nos conselhos, está a violência, a obesidade e a gravidez na adolescência.

- A violência dentro de casa se transformou em um problema de saúde. A partir dos 4 anos de idade, os acidentes e a violência são as principais causas de mortes de crianças e jovens.